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Formação de preço de venda: a conta que separa faturamento de lucro

Como calcular o preço de venda sem chute: custo variável, markup divisor, hora cobrável no serviço e o que muda na planilha com IBS e CBS por fora.

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Por Equipe Editorial Contábil AssessoriaContabilidade consultiva em Marília desde 1972
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A formação de preço de venda parte do custo variável de cada item, não do preço do concorrente. Some imposto, comissão e taxa de cartão, acrescente o lucro desejado, subtraia esse total de 100 e divida o custo pelo resultado. É o markup divisor, e ele devolve o preço que paga a conta.

A sua empresa bate meta de vendas, o faturamento cresce todo mês, mas a conta bancária continua no limite. O dinheiro entra e desaparece antes do dia dez. Você paga os fornecedores, paga os funcionários, paga os impostos e fica sem nada. Quando uma empresa chega aqui na Contábil com faturamento em alta e caixa apertado, o primeiro lugar que a gente olha é a planilha de preço. O erro quase sempre mora na base do cálculo.

Muitos empresários olham o preço do concorrente e copiam o valor. Outros pegam o custo do produto e multiplicam por dois ou por três. As duas levam ao mesmo lugar: preço que não paga a conta. O preço de venda precisa pagar o custo direto da mercadoria. Precisa pagar as despesas variáveis de cada venda, como imposto e comissão. Precisa ajudar a pagar o custo fixo da operação. E, no fim da linha, precisa deixar lucro limpo. Se a conta não fecha na planilha, não vai fechar no banco.

A estruturação correta dos preços exige método. É um processo matemático que protege a empresa do prejuízo disfarçado de venda. Para resolver esse gargalo, o ideal é contar com uma contabilidade consultiva focada na realidade do seu mercado. O que vem abaixo é a conta, passo a passo.

O que compõe a base da formação de preço de venda

Antes da fórmula, vale arrumar a casa: um centro de custos e um plano de contas bem montados são o que permite separar o que é fixo do que é variável sem adivinhação. O primeiro passo da conta exige separar os gastos da empresa em duas caixas muito claras. A primeira caixa guarda os custos e despesas variáveis. A segunda caixa guarda os custos e despesas fixas. Misturar essas duas naturezas na hora de formar o preço gera distorções perigosas.

Os custos variáveis acompanham o volume de vendas. Se você vende muito, eles sobem. Se você não vende nada, eles zeram. O custo de aquisição da mercadoria é variável. A matéria-prima de uma indústria também. O imposto sobre o faturamento entra nessa conta, assim como as comissões pagas aos vendedores e as taxas da máquina de cartão. A soma desses fatores compõe o custo direto de cada item comercializado.

Os custos fixos existem independentemente das vendas. O aluguel do barracão, a folha de pagamento do administrativo, a conta de internet, os honorários contábeis e o plano de software. O valor total dessas contas sofre pouca variação no curto prazo. E aqui mora um erro clássico de gestão. Muitos empresários tentam ratear o custo fixo e embutir um pedaço dele no custo de cada produto. Isso engana a gestão.

Como hipótese didática, suponha uma indústria de alimentos de Marília que vende doces em compota para Pompéia e região. O custo fixo mensal da fábrica é de 50 mil reais. Se ela produz dez mil potes num mês, o rateio joga cinco reais de custo fixo em cada pote. Se no mês seguinte ela produz 25 mil potes, o rateio joga dois reais em cada. O custo do produto parece mudar, mas a despesa real da fábrica continuou em 50 mil. O rateio por unidade esconde a ineficiência quando a produção cai. O caminho é deixar o rateio de fora do preço. O preço de venda usa apenas os custos variáveis na base e adota a margem de contribuição para pagar o custo fixo global.

Como calcular markup na prática com exemplo didático

O markup é um índice multiplicador. Ele garante que o preço final cubra todas as despesas variáveis e ainda entregue o lucro desejado. A fórmula do markup divisor usa o custo direto da mercadoria como ponto de partida. O cálculo exige que você conheça os percentuais exatos de cada despesa que incide sobre a venda. O chute de percentuais derruba toda a utilidade da ferramenta.

A fórmula matemática do markup divisor é simples. Você divide o número um pelo resultado da subtração entre cem por cento e a soma das taxas variáveis. Em termos práticos: Preço de Venda = Custo da Mercadoria / (1 - (Percentual de Impostos + Percentual de Comissão + Percentual de Lucro)).

Para entender a conta, suponha uma empresa de comércio de peças que compra um item por 100 reais do fornecedor. Esse é o custo base. A empresa paga 10 por cento de imposto no Simples Nacional sobre a venda. Paga 5 por cento de comissão para o vendedor. E o dono definiu que quer 20 por cento de lucro líquido sobre o preço final. A soma das variáveis representa 35 por cento do preço.

Componente da VendaPercentual Aplicado
Imposto Simples Nacional10%
Comissão de Vendas5%
Margem de Lucro Desejada20%
Total de Variáveis35%

Na fórmula, você transforma 35 por cento em 0,35. Subtrai isso de 1, resultando em 0,65. O índice de markup divisor dessa peça é 0,65. Agora você pega o custo inicial de 100 reais e divide por 0,65. O preço final de venda passa a ser 153 reais e 84 centavos.

Vamos provar a matemática. Se você vende por 153 reais e 84 centavos, precisa descontar os custos. O imposto de 10 por cento leva 15 reais e 38 centavos. A comissão de 5 por cento leva 7 reais e 69 centavos. O lucro desejado de 20 por cento reserva 30 reais e 77 centavos. A soma dessas três fatias resulta em 53 reais e 84 centavos. Sobram exatamente os 100 reais para pagar o fornecedor da peça. A conta fecha no centavo.

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A diferença clara entre markup e margem

A confusão entre markup e margem é o erro que mais aparece quando a gente abre a planilha de um cliente novo. O empresário aplica um multiplicador e acredita que o percentual usado é o lucro real que vai para o bolso. A base de cálculo é outra, e o número engana. O markup olha para o custo. A margem olha para a receita. Eles usam bases diferentes de cálculo e nunca entregam o mesmo número.

Suponha uma empresa que compra um produto por 50 reais e vende por 100 reais. O lucro bruto da operação é de 50 reais. O markup aplicado sobre o custo foi de 100 por cento, porque 50 vezes dois resulta em 100. O empresário pode achar que tem 100 por cento de margem. A verdade é bem diferente. A margem de lucro se calcula dividindo o lucro pelo preço de venda. Você divide 50 por 100. A margem real é de 50 por cento.

Entender profundamente o limite entre markup e margem evita retiradas indevidas de caixa. Quando você sabe a fatia exata que sobra de cada venda, consegue calcular a sua margem de contribuição. Esse indicador revela o quanto cada produto ajuda a pagar as contas da empresa. Com esses dados na mão, o gestor descobre o ponto de equilíbrio, que é a meta de faturamento mínimo para não ter prejuízo no mês.

Formação de preço de venda de serviços e o custo da ociosidade

O setor de serviços trabalha com uma mercadoria invisível e perecível: o tempo. A base do preço de um serviço é a hora trabalhada. O maior erro das prestadoras de serviço é dividir o custo fixo mensal por 220 horas para encontrar o valor da hora. Nenhuma empresa opera com cem por cento de ocupação o tempo todo. Usar horas teóricas do calendário gera um preço baixo que não cobre o custo real da operação.

Como hipótese didática, imagine uma empresa de tecnologia com cinco programadores. Cada um tem contrato de 220 horas por mês. O gestor soma os salários, encargos, infraestrutura e custos fixos e divide por mil e cem horas. O preço fica barato e a agenda lota. Mas no mundo real, o funcionário tira férias. Ele tem feriado, fica doente, participa de reuniões internas e atende telefonemas. A capacidade produtiva faturável cai bastante.

Dica Contábil: O cálculo do preço de serviço precisa descontar as horas não produtivas. A base correta usa apenas as horas que podem ser efetivamente cobradas do cliente final.

Não existe percentual de ocupação que sirva para todo mundo, e qualquer número de referência pronto é chute. O caminho é medir: aponte por algumas semanas quantas horas de cada profissional foram de fato cobradas do cliente e quantas foram para dentro. É essa hora cobrável, e não a hora do contrato, que entra no divisor do custo. O valor da hora base sobe. Esse é o preço mínimo para pagar a estrutura. Em cima dele, você adiciona os impostos do serviço, os custos de deslocamento e a margem de lucro desejada. Aceitar projetos abaixo desse valor hora significa pagar para trabalhar.

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Como o imposto afeta o preço no Simples, Presumido e Real

A escolha do regime tributário muda toda a composição da planilha de preços. O peso do imposto afeta diretamente o denominador do markup. Muitas vezes, a empresa perde competitividade porque está no regime errado, pagando mais tributo do que a lei exige. Cada enquadramento tem uma mecânica própria que precisa refletir no preço final cobrado na gôndola ou no orçamento.

No Simples Nacional, a alíquota incide sobre o faturamento bruto. Ela cresce conforme a receita acumulada dos últimos doze meses avança de faixa, e quem chega perto do sublimite do Simples precisa refazer o preço antes do desenquadramento, não depois. O preço calculado em janeiro pode ficar defasado em outubro se a alíquota efetiva subir. O empresário precisa revisar a planilha mensalmente. Se o imposto sobe de 8 para 11 por cento, essa diferença de três pontos percentuais come direto a margem de lucro se o preço não for reajustado.

No Lucro Presumido, as alíquotas de PIS, Cofins, IRPJ e CSLL são fixas, baseadas em percentuais de presunção estipulados por lei. O cálculo do preço fica mais estável. Já no Lucro Real, a lógica muda por causa da não cumulatividade plena do PIS e da Cofins. A empresa toma crédito sobre as compras e paga imposto sobre as vendas com alíquotas maiores. O custo de aquisição da mercadoria precisa ser limpo desses impostos recuperáveis antes de entrar na base do markup. Sem uma gestão de caixa e custos que separe o imposto recuperável do custo, o preço no Lucro Real sai alto sem motivo.

O impacto da Reforma Tributária na planilha de preço

A Reforma Tributária muda a lógica de precificação no Brasil. O novo sistema afeta a composição dos custos, o direito a créditos e a forma de calcular os tributos na venda. As regras estão na Lei Complementar 214/2025, e começam a pesar já no período de transição. Quem deixar a planilha como está vai precificar com uma base que não existe mais.

O ponto central da mudança está na base de cálculo. O artigo 12, caput, da Lei Complementar 214/2025 define que a base de cálculo do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) é o valor da operação. O artigo 12, parágrafo 1º, estabelece que o valor da operação compreende o valor integral cobrado pelo fornecedor. Isso inclui acréscimos, juros, multas, encargos, descontos concedidos sob condição e até o frete, quando o transporte é feito pelo próprio fornecedor. Taxas, seguros e tributos incidentes também somam no montante.

O cálculo por fora é o que mexe na planilha. O artigo 12, parágrafo 2º, tira o próprio IBS e a própria CBS da base de cálculo. O montante do IPI, os descontos incondicionais e os reembolsos por conta e ordem de terceiros com documento em nome do terceiro não integram a base. Isso elimina a cumulatividade oculta, o famoso imposto sobre imposto, e obriga a reconstruir as planilhas de markup divisor, já que os tributos principais não farão mais parte da base de incidência deles mesmos.

A tomada de crédito também fica vinculada ao fluxo financeiro. O artigo 47, caput e parágrafo 1º, diz que o contribuinte do regime regular apropria crédito de IBS e de CBS apenas quando o débito da operação de compra é extinto, ou seja, efetivamente pago. Essa apropriação é segregada em contas distintas: não se compensa crédito de IBS com valor devido de CBS, nem o cenário inverso.

Atenção: Os artigos 31 a 35 tratam do split payment. Esse mecanismo exige a segregação e o recolhimento do IBS e da CBS no momento da liquidação financeira da transação de pagamento, com redação consolidada pela Lei Complementar 227/2026.

O período de teste exige atenção imediata. Os artigos 343 e 346 fixam alíquotas de teste para os fatos geradores de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2026. O IBS terá alíquota estadual de 0,1 por cento. A CBS será cobrada com alíquota de 0,9 por cento. O artigo 348, incisos I e II, define que o montante recolhido de IBS e CBS em 2026 será compensado com PIS e Cofins devidos no mesmo período. Se não houver débito suficiente, a empresa pode compensar com outro tributo federal ou pedir ressarcimento em até 60 dias mediante requerimento.

O impacto administrativo dessas alíquotas de teste tem exceções. O artigo 348, parágrafo 1º, dispensa o recolhimento do IBS e da CBS de 2026 para quem cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação. O artigo 348, inciso III, alínea c, estabelece que as alíquotas de teste de 2026 não se aplicam às operações de empresas optantes pelo Simples Nacional. O planejamento de preços já precisa prever o cenário da substituição total, com o fim do PIS e da Cofins abrindo espaço para a CBS a partir de 2027.

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Como revisar o preço de venda sem perder mercado

Quando a empresa recalcula os custos e descobre que está vendendo barato demais, o pânico toma conta do gestor. O primeiro impulso é repassar toda a diferença para o cliente de uma vez. O segundo impulso é engavetar a planilha e continuar tendo prejuízo por medo de perder vendas. Nenhuma dessas opções resolve o problema. A correção de preços exige estratégia comercial aliada à gestão contábil.

A primeira estratégia ataca o custo, não o preço final. Antes de subir o valor na etiqueta, sente com os fornecedores e negocie a base de aquisição. Melhore os prazos, compre volumes inteligentes e reduza o frete. Cada real economizado na compra da mercadoria representa um alívio direto na margem de lucro sem precisar encarecer a venda para o consumidor. O ganho de eficiência interna também reduz despesas variáveis, como desperdícios de matéria-prima e retrabalhos na prestação do serviço.

A segunda estratégia envolve a gestão do mix de produtos. Nem todo item da sua empresa precisa ter a mesma margem de lucro. Você pode manter o preço agressivo em produtos de alto giro para atrair o cliente e compensar a rentabilidade em produtos complementares de margem "mais gorda". Um supermercado pode vender o arroz perto do preço de custo, mas fatura com o açougue e a padaria. Entender o papel de cada item no faturamento global protege a empresa.

A terceira estratégia dita o ritmo do reajuste. Se um produto exige vinte por cento de aumento para dar lucro, fracione essa mudança. Aplique aumentos graduais ao longo dos meses. Agregue valor perceptível, melhore a embalagem, acelere a entrega ou aprimore o atendimento. O cliente costuma aceitar o aumento quando enxerga o que mudou junto. Revisar preço dá trabalho e cria desconforto na equipe de vendas, e mesmo assim é o que separa faturar de lucrar. Se a planilha da sua empresa nunca foi refeita, comece pelos dez produtos que mais vendem: é ali que o erro de base custa mais caro. Uma contabilidade consultiva senta nessa conta com você.

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Conteúdo informativo, produzido pela Equipe Editorial Contábil Assessoria com apoio de IA e revisão humana. Não substitui a análise do caso concreto pelo contador responsável. Normas citadas conferidas na fonte oficial em 02/10/2026.

Perguntas frequentes

O que é formação de preço de venda?

É o cálculo que define por quanto a empresa vende, partindo dos custos e das despesas que incidem sobre cada venda. Entram o custo de aquisição ou de produção, o imposto sobre o faturamento, a comissão, a taxa de cartão e o lucro desejado. O preço do concorrente serve de referência de mercado, nunca de base de cálculo.

Como calcular a formação de preço de venda passo a passo?

Levante o custo variável do item. Some os percentuais que saem de cada venda, como imposto, comissão e taxa de cartão, e acrescente o percentual de lucro que você quer. Subtraia essa soma de 100 por cento e divida o custo pelo resultado. O número que sai é o preço mínimo para fechar a conta.

Qual a diferença entre markup e margem de lucro?

O markup mede quanto você acrescentou sobre o custo. A margem mede quanto sobra do preço que o cliente pagou. As bases são diferentes, então os percentuais nunca coincidem. Um markup de 30 por cento sobre o custo equivale a uma margem de aproximadamente 23 por cento sobre a venda.

Como formar o preço de venda de um serviço?

A base é a hora que você consegue cobrar do cliente, não a hora do contrato. Meça por algumas semanas quantas horas de cada profissional foram faturadas e quantas ficaram em reunião interna, deslocamento ou retrabalho. Divida o custo da estrutura por essas horas cobráveis e só então aplique imposto e lucro.

O que muda no preço de venda com a Reforma Tributária?

O artigo 12, parágrafo 2º, da Lei Complementar 214/2025 deixa o próprio IBS e a própria CBS fora da base de cálculo, no chamado cálculo por fora. O imposto passa a aparecer destacado, em vez de embutido no preço. Quem monta a planilha agora já pode separar o campo de imposto do campo de custo.

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Equipe da Contábil Assessoria Empresarial, escritório de contabilidade consultiva em Marília desde 1972, que atende comércio, prestação de serviços e indústria no Simples Nacional, no Lucro Presumido e no Lucro Real. Todo texto passa por revisão humana antes de publicar.

Revisado por Equipe Editorial Contábil Assessoria, em 02/10/2026 · Apoio de IA · Revisão humana

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